Uma família de verdade!

Gurias,
É com muita alegria que começamos um novo espaço no Blog Mãe de Guri, para falarmos sobre ADOÇÃO! Eu sou adotada, já falei algumas vezes dos meus sentimentos aqui no Blog. E hoje quero poder compartilhar histórias de famílias que adotaram, suas dificuldades, alegrias, enfim…suas histórias! E hoje tem uma história linda, da Silvia, que me emocionou do início ao fim, preparem os lencinhos! Obrigada, Silvia, por contar sua história lindamente! Beijos, Angi
“Meu nome é Sílvia, tenho 35 anos, sou advogada, casada a 5 anos com um marido maravilhoso, 05 anos mais novo que eu. Nos casamos no início de 2009 e desde nossa festa, esperávamos ansiosos por encher a casa de filhos.
Até meados de 2011, depois de muitos exames tanto meus quanto dele, constatamos que ambos possuíamos problemas pra engravidar naturalmente. Conversamos com especialistas sobre as possibilidades de inseminação artificial e fertilização in vitro, o que pra nós pareceram procedimentos muito invasivos e muito dispendiosos.
Uma certeza eu sempre tive: eu preciso ser Mãe e esse sentimento dentro do meu coração despertou a possibilidade de exercer a maternagem através da adoção.
Em uma noite, antes de dormir, marido e eu conversamos muito e descobrimos que encontraríamos nosso primeiro filho através da adoção. Depois dessa conversa, procurei informações junto ao Fórum da cidade onde residimos, busquei livros sobre o tema na internet e comecei a participar de um grupo on line sobre adoção.
Moramos em uma cidade pequena no interior do Estado de Goiás, fato este que pode ter facilitado um pouco o acesso as informações para formalizar o processo de habilitação junto à Vara da Infância e Juventude. Preenchemos o formulário inicial, juntamos certidões negativas, atestados de saúde física e mental, comprovante de residência e renda e então, no dia 11/11/2011 ingressamos com os documentos para nos habilitarmos.
Depois desse dia começamos a conversar com nossos familiares sobre nossa decisão. Fomos muito bem recebidos por todos, pois tanto na família do meu marido quanto na minha, existem filhos do coração.
Na época, nossa comarca não contava com assistente social para fazer a visita técnica na nossa casa, então fomos informados que a profissional que atendia a prefeitura seria designada para  fazer nosso relatório e que ela estaria no lar transitório da cidade e eu precisaria ir até lá para marcar a visita. Chegando ao local informado, fui recebida pela profissional e em seus braços estava um bebezinho de 5 meses que havia chegado a poucos dias no abrigo. Quando eu vi aquele bebê, meu coração disparou. Eu marquei a visita e sem que ela percebesse, saí de lá e fui pro meu carro onde chorei copiosamente. A única coisa que passava na minha cabeça era: como que uma mãe pode abandonar um bebê tão lindo e indefeso? E ainda por cima ruivinho??? Eu sempre pedi ao meu marido um filho cenourinha …rsrs
Depois desse dia, passei a ajudar indiretamente esse bebê com fraldas, roupinhas e outras coisinhas pois sabia que ele não estava disponível para adoção e tenho a filosofia de ‘quer saúde? ajude um doente’ e meu coração dizia pra ajudar. E assim, continuei até que o pequeno começou a adoecer pois o abrigo não contava com estrutura para cuidar dele e ele era o único bebê entre outras 15 crianças de idades entre 6 e 16 anos e a então Coordenadora do lar perguntou se eu não poderia ficar com ele nos fins de semana pois ele  precisava de medicação constante, além de inalação e outros cuidados especiais. Aceitei prontamente, mesmo sabendo que ele não estava disponível para adoção.
E assim, o tempo foi passando, eu engravidei naturalmente e o processo de habilitação em si demorou 7 meses para ser concluído. No dia em que recebi do oficial de justiça nossa habilitação para adoção, recebi a notícia de nossa médica que o embrião não havia se desenvolvido. Isso foi em uma quinta feira de junho de 2012. Fomos para o hospital na segunda feira para fazer o procedimento de expulsão do embrião e na terça feira, ainda no hospital, recebi uma ligação do Fórum dizendo que havia uma criança disponível para adoção e se nós gostaríamos de conhece-lo. Quando a funcionária disse que se tratava do pequeno Enzo, o bebê que estava abrigado e agora estava com 9 meses. Eu realmente não consigo expressar em palavras as emoções que senti naqueles dias… o Juiz havia decido coloca-lo em uma família que estivesse na fila para adoção pois o pequeno havia contraído pneumonia e não poderia ficar abrigado em condições precárias. O casal que estava na nossa frente na fila foi procurado, mas eles queriam uma menina e recém nascida. Sorte nossa!
Assim que saí do hospital comecei uma busca por um advogado, eu poderia ingressar com a ação, mas naquele momento queria ser mãe e não advogada. O primeiro advogado nos enrolou 15 dias, acredito que ele nem imaginava como  iniciar o processo por isso a demora, até que um dia eu rodei a baiana no escritório dele, peguei meus documentos e fui a outro profissional. Nisso meu filhote me esperando no abrigo e a Coordenadora até perguntou se eu não queria leva-lo no fim de semana, mas eu disse a ela que o dia em que eu o tirasse de lá, ele nunca mais voltaria. O outro advogado ingressou com o pedido de adoção, e em 3 dias conseguimos a liminar de guarda provisória e no dia 12/07/2012 meu filho veio pra nossa casa. Foi um dia de festa para nós. Durante o processo de adoção, nenhum parente biológico se manifestou, nem na audiência que foi designada para o mês de fevereiro de 2013. No dia 13 de março de 2013 recebemos a certidão de nascimento do nosso João Enzo (acrescentamos o João), contendo nossos nomes na filiação.
Assim que ele começou a falar, ensinamos a ele que ele nasceu no coração da mamãe e do papai. Hoje, por conta própria, ele já fala que nasceu no ‘hopital’ … rsrs. Compramos alguns livrinhos sobre o tema e as vezes as profissionais que cuidaram dele lá no abrigo vão visitá-lo em nossa casa. Não vamos esconder sua origem e sua história, mas também não vamos instigá-lo a buscar informações sobre sua origem biológica enquanto ele não tiver maturidade para enfrentar o que vai descobrir.
Sem dúvida nenhuma, ele não saiu de mim, mas foi feito pra mim!
Hoje posso dizer que constituímos uma família de verdade, com muito amor e doação. Eu engravidei novamente e naturalmente, já estamos com 15 semanas e João Enzo enche o peito pra dizer a todos que o maninho José Henrique está na barriga da mamãe.”
Silvia
Fonte: http://www.maedeguri.com.br/2014/01/uma-familia-de-verdade-historias-de-adocao.html

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Diogenes Duarte

Jornalista – DRT 986/MS – Servidor do Poder Judiciário do MS – Membro do Grupo AFAGAS.