Alegria de reconhecimento como gravidez, diz casal homoafetivo.

Em decisão inédita no Brasil, Justiça autoriza que dois homens de Catanduva (SP) sejam considerados pais em certidão de nascimento.

“Foi como uma mulher abrir um exame e descobrir que está grávida.” É desta forma que o cabeleireiro Vasco Pedro da Gama Filho, de 35 anos, explica a felicidade de retirar na terça-feira (22) a certidão de nascimento da filha Theodora, de cinco anos, onde constam o nome de Vasco e do também cabeleireiro Júnior de Carvalho, de 42 anos, como pais.

Os dois, que moram em Catanduva, a 385 km de São Paulo, passaram a manhã desta quarta-feira recebendo jornalistas e enfrentando o assédio causado pelo ineditismo da decisão. É a primeira vez que a Justiça emite uma certidão de nascimento em que um casal homoafetivo masculino responde pela paternidade de uma criança adotada.

“A gente ficou muito feliz com a decisão. Acho que para o movimento GLBT (Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transgêneros) é muito importante esta conquista”, disse o cabeleireiro ao G1. Ele acredita que isto abre precedentes para outros casais gays.

Gama Filho fez uma crítica, entretanto, ao fato de os homoafetivos conseguirem adotar crianças, mas não terem o casamento reconhecido. “O casamento, que viria antes dos filhos, ainda não foi aprovado, mas os filhos a gente já conseguiu”, afirmou.

Paixão à primeira vista

O caminho foi longo até o casal conseguir adotar Theodora. Os cabeleireiros têm uma união estável há 14 anos e em 1998 decidiram entrar com um pedido de adoção, negado por um juiz da cidade. Em 2004, eles decidiram insistir e fazer uma nova tentativa.

A menina surgiu na vida deles no mesmo ano, em uma visita a uma instituição de crianças carentes do município. “Eu me apaixonei por ela ali. Eu bati uma foto dela escondido e cheguei em casa falando pro Júnior que tinha uma ‘bugrinha’ que era a nossa cara”, conta.

Um ano se passou e o casal continuou procurando uma criança para adotar até em outras cidades. No final de 2005, uma juíza de Catanduva decidiu dar algumas crianças para famílias substitutas e Theodora foi escolhida para morar na casa deles. “A gente estava torcendo para ser ela”, diz Gama Filho.

A menina só havia sido registrada, entretanto, no nome de Gama, que enfrentou o processo de adoção como uma pessoa solteira. O casal decidiu então entrar com um pedido de reconhecimento de paternidade de Carvalho. A decisão saiu no dia 30 de outubro e a nova certidão de nascimento nesta terça-feira (22).

O cabeleireiro diz que a filha tem orgulho de ter dois pais. “Ela está sendo criada neste meio. A professora disse que ela tem orgulho e até esnoba os coleguinhas”, conta. Para não causar confusão, Theodora chama Gama Filho de “pai” e Carvalho de “pai Ju”.

No Dia dos Pais, a menina fez dois presentes, para que nenhum deles ficasse chateado. Já no Dia das Mães, a presenteada foi a madrinha – uma tia de Carvalho.

Fonte: GAASP

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Diogenes Duarte

Jornalista – DRT 986/MS – Servidor do Poder Judiciário do MS – Membro do Grupo AFAGAS.