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“Desde os primeiros contatos, eles já me chamaram de pai”

José Heleno Ferreira, de 41 anos, solteiro e pai de três crianças adotadas.

O ditado popular já diz: “Pai é aquele que cria”. O primeiro Dia dos Pais de José Heleno Ferreira provavelmente será inesquecível. O professor, de 41 anos, venceu três dos maiores obstáculos de uma adoção. Solteiro, ele adotou três irmãos com idade em que a adoção já fica mais difícil e de etnia diferente da sua. Hoje, é chamado de pai por Letícia, de sete anos, Lucas, de cinco, e Túlio, de quatro.

José Heleno conta que desde a sua juventude sempre quis ter filhos. “Durante um momento da minha vida, eu tive uma relação com uma companheira e quis ter filhos biológicos naquele momento e não foi possível”, diz.

Segundo o professor, não existe diferença em ter um filho biológico e um adotivo. “Eu não via diferença alguma, porque ter filho é cuidar e conviver. Neste sentido, não fazia diferença ser um filho biológico ou adotivo”, conta.

Devido a impossibilidade de ter filhos biológicos naquele momento, José Heleno optou por adotar uma criança, mas a companheira não tinha a mesma opinião. Com a separação, o professor decidiu adotar uma criança sozinho, e entrou com o processo de adotante que durou cerca de um ano. “Inicialmente, eu havia colocado no cadastro que gostaria de adotar apenas uma criança e que tivesse até seis meses de idade. Mas quando me chamaram e eu conheci os três que hoje são meus filhos, resolvi assumir a adoção. Não vi empecilho diante do fato de eles terem na época três, cinco e seis anos de idade”, revela.

Para José Heleno, a maior mudança em sua vida foi de que morava sozinho há algum tempo e tinha a casa toda para ele. “Tive que mudar de casa porque a onde eu morava era pequeno, e isso foi o mínimo. A mudança maior mesmo foi na rotina, no dia-a-dia, desde o momento de levantar da cama, como ter que acordar três crianças, preparar o café, prepará-los para irem à escola e depois o almoço. Agora eles fazem parte da minha vida, dividem comigo essa rotina, além dos problemas que surgem. Criança adoece, dá trabalho, mas é linda, maravilhosa”, conta.

Pai

Segundo José Heleno, é emocionante ser chamado de pai. “Todos três me chamam de pai e foi surpreendente, porque não foi colocado para eles, nem da minha parte, nem da parte de ninguém. Desde os primeiros contatos, eles já me chamaram de pai e eu atribuo isso ao desejo deles de terem um”, diz emocionado.

A afinidade foi recíproca, José Heleno revela que a partir do momento que conversou com as crianças e falou do desejo de que eles fossem morar com ele, as crianças foram bastante carinhosas. “Pensar tudo isso é muito bonito. Cada vez que eu os escuto me chamar de pai é algo lindo”, fala.

Educação

José Heleno revela que assumir uma condição de estar dividindo a vida com três crianças, de estar recebendo delas carinho, atenção, solicitações, pedidos e, ao mesmo tempo, tentando oferecer a elas carinho e educação, é uma responsabilidade muito grande. “A educação que me refiro é algo muito mais amplo do que a educação escolar. Eu falo sobre o processo de formação do ser humano, de construir um cidadão, uma pessoa feliz, ética, justa e solidária. Eu acredito que este desenvolvimento acontece em todos os momentos de convivência”, destaca.

Para José Heleno, na adoção não há como pensar mais individualmente. “É pensar sua vida de uma forma diferente. Não é mais a minha vida, não sou mais eu sozinho. Agora sou eu mais Letícia, Lucas e Túlio”, justifica.

Justiça

Embora estando com a guarda das crianças há oito meses, José Heleno ainda não tem os documentos oficiais dos filhos, o que causa um certo receio, já que os pais biológicos das crianças moram em Divinópolis. “Eu tenho temor, há uma insegurança principalmente porque eu não tenho os documentos oficiais deles, apesar de serem meus filhos há oito meses. Mas este receio está cada vez menor. No início, eu era mais forte. Hoje eu sinto que se por acaso isto acontecer, pode ser que tenha algum problema na Justiça. Mas por parte das crianças, não haveria mais e isso me traz tranquilidade”, explica.

Embora sabendo que pode vir a ter algum problema com os pais biológicos das crianças, José Heleno acredita que seriam problemas com a Justiça, mas que ele, juntamente com os filhos, enfrentariam. “Seriam problemas burocráticos, o que é chato, mas que enfrentamos. O problema afetivo eu acho que já não existe mais, hoje já é tranquilo”, esclarece.

Família

Segundo o professor, sua família teve uma abertura muito grande e receberam as crianças muito bem. “Foi meio assustador no início, os avós terem três netos de repente, os tios terem três sobrinhos. Mas hoje os três chamam meus pais de avós, e os meus pais os chamam de netos”, conta.

José Heleno ainda diz que o fato dele ser solteiro não tira das crianças a imagem de uma família. “Minha família é estruturada, eu e meus três filhos. Ela vem se construindo com muita alegria e muita felicidade”, diz.

Preconceitos

José Heleno revela que uma coisa muito importante na questão da adoção é o fato das pessoas acharem que o adotante faz uma caridade ou um favor para as crianças, e que esta imagem tem que ser desfeita. “Eu não estou fazendo nenhuma caridade, nenhum favor para a Letícia, o Lucas e o Túlio, muito pelo contrário. É uma relação de amor, de entrega, é uma partilha e eu não tenho dúvida de que quem ganha com isso tudo sou eu”, fala.

Outro preconceito que José Heleno diz que tem que ser vencido é a questão da adoção de crianças mais velhas. “O fato de eles terem tido uma história anterior não dificultou em nenhum momento o estabelecimento de uma relação de amor e respeito. É possível estabelecer uma relação de amor, carinho e respeito em qualquer idade, a qualquer momento”, finaliza.

Fonte: Gazeta do Oeste

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Encontro antecipado

foto_2Percebi que o mundo não precisa de meus próprios filhos, por isso resolvi adotar” – Clarisse Meirelles

Até os cinco meses Pedro viveu pelas ruas do Rio de Janeiro com sua mãe, alcoólatra. Hoje, dois anos e meio depois, aquele menino desnutrido e doente é o mais alto de sua turma do maternal, em uma escolinha da zona sul carioca. Sua história começou a mudar quando o Estado tirou-o da guarda da mãe. Durante um ano viveu num abrigo para menores. Em junho do ano passado, Pedro foi finalmente adotado pelo professor e tradutor Ângelo Barbosa Pereira, 38 anos. Nada de extraordinário, não fosse Ângelo um homem solteiro. O caso de Pedro revela uma nova realidade que se vem tornando rotina na 1ª Vara da Infância e da Adolescência do município do Rio de Janeiro. Ali, homens e mulheres que se responsabilizam sozinhos pela adoção já respondem por 30% dos processos realizados, e a tendência é crescer.

Na longa fila de espera do Juizado, há cinco casais para cada candidato. Até o ano passado, eram dez casais para cada solteiro. Só até julho deste ano, 11 crianças já foram para suas novas casas apenas com a mãe ou com o pai. A adoção por pessoas solteiras está prevista no Estatuto da Criança e do Adolescente, de 1990, mas nos outros Estados os juízes não costumam utilizar essa possibilidade. “Não adotamos critérios discriminatórios nem preconceituosos. O que está em jogo é se o candidato tem disponibilidade e equilíbrio emocional, além de recursos financeiros para manter a criança”, explica o juiz titular da 1ª Vara, Siro Darlan. Há três anos no cargo, Darlan conseguiu desemperrar a máquina burocrática e acelerar o processo de adoções. Se antes levavam-se três anos em média para conseguir adotar, hoje o procedimento finaliza-se em alguns meses.

Não fiz por obrigação, mas pelo prazer de estar com Pedro. Adotá-lo foi a melhor coisa da minha vida”foto_2a
Ângelo Barbosa Pereira, professor e tradutor

Segundo o psiquiatra Alfredo Castro Neto, toda criança adotada costuma passar por três grandes questionamentos: como foi seu nascimento, por que foi escolhido por quem a adotou e quem são seus pais biológicos. “Adotar uma criança sozinho exige muita responsabilidade”, lembra o psiquiatra. Por esse motivo, Castro Neto acha necessária uma análise do equilíbrio emocional das pessoas que se propõem a isso.

Para se habilitar a adotar uma criança, algo que não estava nos seus planos até conhecer Pedro, Ângelo passou por uma minuciosa avaliação, feita por um assistente social e um psicólogo. “O problema é que muita gente se candidata por medo de uma velhice solitária ou para fazer caridade”, explica o juiz Siro Darlan.

“Não posso dizer que ele não vai sentir falta de uma mãe, mas também não é certo que vá ficar traumatizado por isso”, defende Ângelo, que se encantou por Pedro desde o dia em que o viu pela primeira vez, num orfanato. Antes de ter a guarda definitiva do menino, Ângelo abriu mão de noitadas frequentes e formou um time de empregada doméstica e babá para nunca deixá-lo sozinho. “Não fiz por obrigação, mas pelo prazer de estar com Pedro. Adotá-lo foi a melhor coisa da minha vida”, diz. Segundo a diretora do Serviço Social da 1ª Vara, Cleyse Assis, muitos casais adotam porque sentem a obrigação social de ter filhos. “O solteiro o faz por uma opção muito bem pensada”, diz.

Outra característica desses pais é ter menos preconceito e exigências quanto à criança que querem adotar. Os casais chegam ao Juizado em busca de recém-nascidos brancos e, de preferência, meninas. Às vezes, esperam durante anos a sua vez na lista, e não levam para casa bebês maiores.

foto_2bMeu filho costuma viajar comigo e com meu namorado, mas a relação já passou por crises”
Rudy, cabeleireira

A jornalista inglesa Diana Constance Kinch tem três filhos brasileiros, todos adotados. Além de Raoul e Daniel, ela é mãe de Beatrice, nascida com uma doença congênita no coração e rejeitada pela mãe natural. A jornalista quis conhecê-la assim mesmo, quando tinha cinco semanas. Apaixonou-se pela menina e resolveu enfrentar os problemas. Beatrice, hoje com seis meses, toma remédios diariamente mas já fez muitos progressos. “Sei que ela terá que operar quando alcançar 10 kg (está com 5,7 kg), mas estou confiante na recuperação.”

Diana ficou estéril há 12 anos, em consequência de uma gravidez tubária, e já havia tentado a fertilização in vitro algumas vezes, sem sucesso. Veio para o Brasil há 11 anos, casada, mas se separou logo depois e aí resolveu formar uma família. “Percebi que o mundo não precisa de meus próprios filhos, por isso resolvi adotar, mesmo sozinha.” Logo que a caçula ficar boa, Diana pensa em adotar mais um. Candidatos não faltam. Só nas 325 instituições para menores no município do Rio existem oito mil crianças à espera de uma chance.

Siro Darlan diz que não tem preconceitos. Ele não exagera. Nunca se preocupou com o fato de muitos dos pais adotivos serem homossexuais. “Os valores da sociedade mudam. Buscamos o melhor para as crianças, independentemente da opção sexual dos pais”, explica. Um sinal da mudança dos tempos foi o resultado do Você decide, da Rede Globo, no início de agosto. O público tinha que optar se, depois da morte da mãe, o bebê ficava com a tia, que nunca via a menina e era pobre, ou com os patrões da mãe, um casal homossexual de classe média. Apesar de tendencioso, o resultado do episódio foi surpreendente: 137 mil telespectadores foram favoráveis a que o casal ficasse com a menina e apenas 12 mil votaram na tia.

A psicanalista Maria Teresa Maldonado, autora do livro Caminhos do coração. Pais e filhos adotados, gostou do resultado. “Pode haver lares bem-estruturados tanto com pais hetero quanto com homossexuais”, diz. Mas, segundo o psiquiatra Alfredo Castro Neto, há pesquisas americanas que indicam que a sociabilidade do filho de um homossexual pode ser abalada. “A criança pode sofrer com a vergonha e ficar ansiosa. Mas, decididamente, a orientação sexual não é definida pela dos pais, no máximo pela relação com eles”, lembra.

Um exemplo é o da cabeleireira Rudy, transexual que adotou um recém-nascido há 20 anos. Se tivesse ido ao Juizado na época, provavelmente não teria conseguido a guarda de Ivan, mas foi a própria mãe, sem condições de criar o menino, que decidiu doá-lo a Rudy. Hoje, Ivan estuda Educação Física, tem uma namorada há um ano e se acha um cara de sorte. “Podia ter ficado num orfanato e nem sei o que teria acontecido”, afirma o rapaz. “Meu filho costuma viajar comigo e com meu namorado, mas a relação já passou por crises”, diz Rudy.

Quando tinha sete anos, Ivan chegou em casa triste porque os amiguinhos da escola haviam dito que o pai era bicha. Rudy sentou e falou para o filho que ele ia ouvir dizerem muitas coisas, e que provavelmente era tudo verdade, mas que aquilo não importava na relação dos dois. A cabeleireira, hoje com 48 anos, resolveu em 1989 se operar para mudar de sexo. Foi quando disse para o filho chamá-la de mãe. “Foi muito louco passar a tratar alguém que foi sempre pai de mãe. Mas me acostumei”, lembra Ivan. Nessa fase de adaptação, os dois quase mataram um motorista de táxi do coração, quando Ivan chamou Rudy – vestida com roupas femininas, maquiada e com longos cabelos loiros – de pai. Hoje, divertem-se com a história. “O segredo é dizer sempre a verdade”, ensina Rudy. Maria Teresa Palazzo Nasar, médica e psicanalista, alerta que uma das condições fundamentais para que uma relação entre pais solteiros e filhos adotivos seja saudável é a inclusão de uma terceira pessoa. “O relacionamento estritamente a dois tem tudo para ser doentio. A criança não pode ser tudo para o pai ou a mãe nem o contrário. É preciso ver se o adotante tem uma relação erótica feliz, seja ele casado, solteiro, hetero ou homossexual”, recomenda Maria Teresa. Caso a criança seja adotada para suprir essa carência, a convivência pode ser um desastre para ambos. “A miséria e o abandono vão além dos abrigos, pois muita criança rica está abandonada”, ela comenta.

Fonte: GAASP

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“Figura do pai não é imprescindível para meninos” defende psicóloga

Quem considera que a figura do pai é imprescindível para o pleno desenvolvimento dos meninos está enganado –ao menos é o que afirma Peggy Drexler, psicóloga americana que realizou uma extensa pesquisa sobre o assunto.

A autora de “Raising Boys Without Men” (“Criando Meninos Sem Homens”), que será lançado em edição de bolso nos Estados Unidos em outubro após fazer muito sucesso com sua edição tradicional, acompanhou durante dez anos mais de 60 famílias, 30 delas formadas por mulheres que decidiram ser mães solteiras.

As conclusões da psicóloga contradizem as posições de alguns sociólogos, grupos religiosos e analistas. Segundo Drexler, seu estudo demonstra que a moralidade e a masculinidade de um menino podem ser cultivadas sem que o pai conviva com ele. Para ela, as crianças descritas no livro possuem uma mistura de agressividade saudável e empatia que não é observada em todos os filhos de famílias que contam com mãe e pai.

A psicóloga diz que as mães de seu livro têm a oportunidade de criar um tipo diferente de homem, forte e sensível, capaz de entender que as emoções são valiosas.

A especialista afirma que existe um grupo bastante “barulhento” nos Estados Unidos que diviniza a família tradicional. Mas, de acordo com Drexler, “o que conta é a qualidade da criação dos filhos, não o número ou o sexo dos pais”. “Às vezes, para um pai ou uma mãe, jantar com seus filhos é um indicador melhor de como serão quando forem mais velhos do que a quantidade ou o sexo dos pais na mesa”, declarou.

Drexler afirmou que as protagonistas de “Raising Boys Without Men” são mulheres educadas, de renda estável, mais velhas que a média das mães e que têm informações sobre como criar uma criança.

Acusações

A professora de psicologia da Universidade de Cornell, em Nova York, teve de suportar todo tipo de acusações por causa de suas idéias e chegou a consultar uma companhia de segurança devido à agressividade de algumas mensagens que recebeu. Houve quem a aconselhasse a se mudar para a Europa, aqueles que a chamaram de “abominável” e acusações de odiar os homens e de promover a causa gay.

Entretanto, Drexler, mãe de dois filhos –uma menina de 12 anos e um rapaz de 26– e casada há 36 anos com o mesmo homem, diz que seus motivos foram bem diferentes do ódio pelo sexo oposto. “Existe nos Estados Unidos a percepção de que a maior parte dos meninos americanos cresce em famílias com pai e mãe, porém na realidade menos de 23% dos lares estão dentro dessa categoria”, declarou a professora universitária.

Segundo os últimos números do censo, há cerca de oito milhões de mulheres criando seus filhos sozinhas e há pelo menos outras 100 mil famílias com duas mães lésbicas.

De acordo com a psicóloga, “criar um filho sozinha é difícil para qualquer mulher, mas existe uma preocupação especial no caso das mães com meninos”. O que a autora quis comprovar é se a preocupação tinha justificativa.

“Existe a percepção de que um menino precisa de um homem no quarto da mãe para se transformar em homem. Queria ver se isto é verdade, pois o número de mães solteiras ou divorciadas aumentou de três milhões em 1970 para cerca de oito milhões atualmente”, disse a psicóloga.

A autora afirmou que “os homens são muito importantes para os meninos, porém os que não os encontram em casa podem descobri-los na sociedade a seu redor”. “Há vários modelos, bons e maus, na escola, nas áreas de lazer, nos livros e na televisão, que um menino pode descobrir. Nenhuma família pode oferecer todos os modelos”, declarou a psicóloga nova-iorquina –que, apesar das críticas, também encontrou admiradores.

Entre os que entraram em contato com ela após a publicação do livro está a mãe do ciclista americano Lance Armstrong, que criou o campeão sozinha.

Fonte: Folha de São Paulo

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10 coisas que o adotado gostaria que o adotante soubesse!

1.  Impossível ignorar que perder os pais de nascimento é traumático para uma criança. Esta perda será sempre uma parte de mim. Irá moldar quem eu sou e vai ter um efeito sobre meus relacionamentos – especialmente a minha relação com você.

2. O amor não é o suficiente para a adoção, mas certamente faz a diferença. Diga-me todos os dias que eu sou amada – especialmente nos dias em que eu não estou particularmente adorável.

3. Mostra-me – por meio de suas palavras e ações – que você está disposto a resistir a qualquer tempestade comigo. Eu tenho dificuldades em confiar nas pessoas por causa das perdas que experimentei na vida. Mostre-me que eu posso confiar em você. Mantenha sua palavra. Eu preciso saber que você é uma pessoa segura na minha vida, e que você vai estar lá quando eu precisar de você e quando eu não precisar de você.

4. Eu sempre acho que você vai me abandonar, não importa quantas vezes você me diga ou me mostre o contrário. A ideia de que “as pessoas que me amam vão me deixar” foi incutida em mim e será para sempre uma parte de mim. Eu posso querer te afastar de mim para me proteger da dor da perda. Não se importe com o que eu diga, eu preciso de você para me mostrar que você nunca vai desistir de mim.

5. Eu preciso de você para me ajudar a aprender sobre a cor da minha pele ou minha cultura de origem, porque é importante para mim. Eu não me pareço com você, mas eu preciso de você me dizendo – por meio de suas palavras e ações – que não há problema em ser diferente.

6. Eu preciso de você para ser o meu advogado. Haverá pessoas em nossa família, na escola, na vizinhança, na sala de espera da consulta pediátrica… que não entendem sobre adoção. Eu preciso que você explique a elas sobre isto.

7. Em algum momento posso perguntar ou desejar procurar minha família biológica. Você pode até me dizer que estas pessoas não importam, mas não ter esse tipo de conexão deixou um vazio na minha vida. Você sempre será a minha família. Se eu perguntar ou procurar pela minha família biológica, isso não significa que eu te ame menos. Viver sem o conhecimento da minha família biológica tem sido como trabalhar num quebra-cabeças com peças faltando e saber sobre ela pode me ajudar a me sentir mais completa.

8. Por favor, não espere que eu seja grata por ter sido adotada. Eu suportei uma tremenda perda antes de me tornar parte de sua família. Eu não quero o discurso “você me salvou e eu deveria ser grata” pairando sobre a minha cabeça. Adoção é algo sobre a formação de famílias para sempre e não sobre “caridade” para uma criança.ajuda

9. Não tenha medo de pedir ajuda. Posso precisar de ajuda para lidar com as perdas que experimentei e outras questões relacionadas com a adoção. Talvez você também precise e isso é completamente normal. Junte-se a grupos de apoio para famílias adotivas, por exemplo. Isso pode exigir que você saia de sua zona de conforto, mas vai valer a pena.

10. A adoção é diferente para todos. Por favor, não me compare com outros adotados. Apenas veja a experiência dos outros para que isso lhe ajude a encontrar a melhor maneira de me entender. Respeite-me como um indivíduo. Nossa jornada nunca vai acabar; não importa o quão instável a estrada possa ser, e independentemente de onde ela pode levar, o fato de estarmos juntos nesta mesma estrada vai fazer toda a diferença.

Fonte: desconhecida

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Família para sempre e outras coisas que quero prometer

Deixei o Pequeno em um parquinho supervisionado ontem por algumas horas. O Maior estava na escola e era o aniversário do meu marido, então eu e ele almoçaríamos juntos. Era algo que não havíamos feito desde, bem, desde que o Maior viera para casa.

O Pequeno estava animado para brincar com o trenzinho, o escorrega e todas as outras coisas que eles tinham para entreter as crianças enquanto estavam longe de seus pais. Mas também não estava à vontade em me deixar. Eu falei com ele no caminho para dentro e cantamos nossa musiquinha de despedida, que fala sobre como eu vou voltar (nota: agradeço a Daniel Tiger pelo conselho de pai). Então o inscrevi e o entreguei à tia do parquinho. Ela percebeu o nervosismo dele e disse, como muitas cuidadoras fazem, “Está tudo bem, as mamães sempre voltam.”

Exceto quando não.

Eu tenho esse sussurro na minha cabeça toda vez que me ouço prometer o “toda hora”, o “para sempre”, prometer que não haverá grandes mudanças agora. Às vezes as mamães não voltam. Morte, doenças físicas ou mentais, renúncia, abandono, há uma miríade de razões por que, às vezes, tragicamente, mamães não voltam. Há mães acolhedoras que amam seus filhos, cuidam deles, SÃO suas mães por algum tempo e, enquanto os adultos sabem o que aconteceu, eu sinto que para algumas crianças elas são apenas mais uma mamãe que não voltou.

Eu não sei qual é a resposta. Eu não acho que haja uma. Crianças foram feitas para estar com suas mães. Às vezes isso não funciona. E às vezes eles ganham outra mãe. Mas não me entenda mal, eu acho que ser a “outra mãe” é um lindo privilégio. Eu sou a Mãe deles. A mãe adotiva. Eu sou deles completamente. Não sou de segunda classe ou falsificada. Nenhuma mãe é.

Mas enquanto falamos muito sobre essas crianças se juntando ao “lar” e usamos muito expressões como “família para sempre”, eu acho que precisamos ser brutalmente honestos com nós mesmos. Ser pais dessa forma requer mais empatia. Nós, como pais adotivos, temos que nos lembrar que estamos pedindo que eles acreditem em algo que a nossa própria existência coloca em questão: a promessa de uma família para sempre. Se famílias fossem verdadeiramente para sempre, eles não nos teriam.

Eu ouço muito sobre o trabalho duro que os pais adotivos têm. Há conferências sobre isso. Livros. A expressão “cuidando de crianças vindas de lugares difíceis” tem sido muito usada. Nenhuma dessas coisas é ruim ou falsa. Mas a maior verdade é a de que estamos pedindo a essas pequenas almas que acreditem em algo que a suas experiências contradizem.

Ser pai é difícil, ser pai adotivo é difícil. Mas escolher amar de novo, escolher confiar que essa mamãe vai voltar quando a outra não voltou, deve ser a coisa mais difícil de todas. E nós, como seus pais, temos que honrar e respeitar isso.

Essas crianças são quem não têm nenhum poder no processo de adoção, mas quem corre o maior risco. Eu acho que a comunidade adotiva deve ganhar uma perspectiva melhor de onde está, exatamente, a dificuldade. Nós devemos parar de perguntar, “como as crianças se adequam” e mais “como sua família está se adaptando ao que eles precisam?”. Porque nós é que somos os crescidos aqui. Nós é que pedimos para tê-los em nossas vidas. Nós é que temos a honra pura de ser pais de suas mentes e corações.

Nós precisamos respeitá-los. Respeitar suas histórias. Respeitar suas realidades. Respeitar quão incrível é que um coração que sofreu um golpe tão terrível possa aprender a amar de novo. Não importa o quão lentamente, não importa o quão doloroso seja o processo para nós como pais adotivos, os corações deles é que importam. Têm que importar. Realmente importam. Porque toda a coisa de ser pais é sobre seus corações em primeiro lugar. E sua bravura deve ser aplaudida.

“Família para sempre” é o termo normalmente usado para família adotiva nos EUA, em contraste com as famílias acolhedoras

Texto original: http://wondermentetc.com/2015/05/12/forever-family/
Tradução: Luisa Peixoto

Fonte: http://correspondenciadaadocao.blogspot.com.br/2015/06/familia-para-sempre-e-outras-coisas-que.html?m=1

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Pedagogia e adoção: O que ensinar e quando ensinar?

Com a adoção não é diferente!

Tudo depende da forma como nós a ensinamos aos nossos filhos, e isso porque é nos primeiros anos de vida que se formam grande parte da personalidade e do caráter.

Se ensinamos que comer doces e refrigerantes é normal, então levarão este hábito para a fase adulta. Se ensinamos que não devem maltratar os animais, carregarão também este valor. E se ensinamos que as famílias são formadas apenas através da gestação, ou escondemos que eles foram gerados nos nossos corações, então este será o conceito que terão como certo ao longo dos seus dias: que filhos são gerados apenas na barriga, e que adoção é algo digno de ser escondido.

É preciso que nós tenhamos consciência do que ensinamos aos nosso filhos, porque ensinamos mais calados do que quando tentamos transferir conhecimento.

Se agirmos com segurança na decisão que tomamos ao adotar, se falarmos sobre o assunto abertamente sem esconder detalhes ou sem evitá-lo, e se estes relatos forem conversados com naturalidade e alegria, então estas serão as verdades que deixaremos como legado: de que eles podem se sentir seguros por terem sido adotados, de que podem falar abertamente sobre o assunto sem medo de se sentirem constrangidos ou rejeitados, e que ser um filho gerado no coração não é motivo nenhum de vergonha.

Sendo assim, tomo a liberdade de parafrasear a frase acima do grande filósofo, trazendo-a para mim mesmo: “Educo com segurança meu filho, para que não sofra no futuro.”

Jenniffer Hirata – Pedagoga, Historiadora, Vice-Diretora de uma escola de ensino fundamental I e Mãe de um bebê lindo de 5 meses, gerado por 6 anos no coração. Email: jenniffermary@hotmail.com

Fonte: http://gravidezinvisivel.com/pedagogia-e-adocao-o-que-ensinar-e-quando-ensinar/

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ADOTAR – Confira o Passo a Passo

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Apadrinhamento Afetivo

O apadrinhamento afetivo não é adoção.

É oportunidade de proporcionar convivência familiar a crianças e adolescentes abrigados que não têm família. Na maioria dos casos, são jovens que por conta da idade terão mais dificuldade de serem adotados ou já estão prestes a completar 18 anos e irão embora dos abrigos. Além do afeto, os padrinhos também oferecem aos jovens orientação sobre o futuro, os estudos e a profissão.

Ficou curioso sobre o assunto?

Assista ao vídeo para saber como se tornar madrinha ou padrinho: http://bit.ly/1K6C1Xp.

#CNJ #ApadrinhamentoAfetivo

 Apadrinhamento afetivo: é a oportunidade da convivência familiar para crianças e adolescentes que vivem em abrigos.

Não é adoção.

Na maioria dos casos, o encontro é quinzenal durante o final de semana.

Tem curiosidades sobre o assunto? Assista ao vídeo do CNJ ou entre em contato conosco.

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Realidade brasileira sobre adoção

O tema da adoção no Brasil é um desafio de enormes dimensões, como comprova a análise dos dados do Cadastro Nacional de Adoção (CNA) e do Cadastro Nacional de Crianças e Adolescentes Acolhidos (CNCA), administrados pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Existem hoje cerca de 5.500 crianças em condições de serem adotadas e quase 30 mil famílias na lista de espera do CNA. O Brasil tem 44 mil crianças e adolescentes atualmente vivendo em abrigos, segundo o CNCA — em fevereiro do ano passado, eram 37 mil. Se há tantas pessoas dispostas a acolher uma criança sem família, por que o número de meninas e ­meninos do cadastro não para de crescer?

Na avaliação do próprio CNJ, a resposta pode estar na discrepância que existe entre o perfil da maioria das crianças do cadastro e o perfil de filho, ou filha, imaginado pelos que aguardam na fila da adoção. “Nacionalmente, verifica-se que o perfil das crianças e adolescentes cadastrados no CNA é destoante quando comparado ao perfil das crianças pretendidas, fato que reveste a questão como de grande complexidade”, admite o CNJ no documento Encontros e Desencontros da Adoção no Brasil: uma análise do Cadastro Nacional de Adoção, de outubro de 2012.
Criado em abril de 2008, antes mesmo da entrada em vigor da nova legislação sobre o tema, o CNA tinha como principal objetivo dar mais rapidez e transparência aos processos. Nos três anos seguintes, foram 3.015 adoções no Brasil, uma média de quase três por dia. Um ritmo que pode, ainda, estar em queda. De acordo com dados da Seção de Colocação em Família Substituta da 1ª Vara da Infância e da Juventude do Distrito Federal, a média mensal de adoções caiu depois das novas exigências legais. Em 2010, a Justiça autorizou 195 adoções no DF — média mensal de 16,25 casos. Em 2011, foram menos: 144 no total, ou apenas 12 por mês.

Incompatíveis
A análise dos perfis do CNA indica que é falsa a crença comum de que o maior obstáculo às adoções no Brasil é a questão racial. Cerca de um terço (32,36%) dos pretendentes só aceita crianças brancas, que representam exatamente três em cada dez das cadastradas. Por esse viés, portanto, não existiria dificuldades. Até porque quase 100% das famílias se dispõem a acolher crianças negras ou pardas, que são duas em cada três do cadastro. Além disso, nada menos que 38,72% se declaram indiferentes em relação à raça do futuro filho ou filha.

Incompatibilidade difícil de ser suplantada é, na verdade, o fato de que apenas um em cada quatro pretendentes (25,63%) admite adotar crianças com quatro anos ou mais, enquanto apenas 4,1% dos que estão no cadastro do CNJ à espera de uma família têm menos de 4 anos. Em 13 de março deste ano, eram apenas 227 em um universo de 5.465. Por isso, cada dia que passam nos abrigos afasta as crianças ainda mais da chance de encontrar um novo lar. Tanto que é inferior a 1% o índice de pessoas prontas a adotar adolescentes (acima de 11 anos), que por sua vez respondem por dois terços do total de cadastrados pelo CNJ.

Outro fator que costuma ser sério entrave à saída de crianças e adolescentes das instituições de acolhimento, de acordo com as estatísticas do CNJ, é a baixa disposição dos pretendentes (17,51%) para adotar mais de uma criança ao mesmo tempo, ou para receber irmãos (18,98%). Entre os aptos à adoção do CNA, 76,87% possuem irmãos e a metade desses tem irmãos também à espera de uma família na listagem nacional. Como os juizados de Infância e Adolescência dificilmente decidem pela separação de irmãos que foram destituídos das famílias biológicas, as chances de um par (ou número maior) de irmãos achar um novo lar é muito pequena.

Demora crítica
Para o senador Magno Malta (PR-ES), a morosidade nos processos de adoção acaba contribuindo para que vidas sejam ­desperdiçadas.

“Algumas dessas crianças vão se prostituir depois dos 12, 13 anos de idade porque não aguentam mais. Saltam o muro do abrigo, vão para a rua e não voltam. Dizem que a rua é o lugar delas. Estão roubando e assaltando, pagando o preço desse tipo de raciocínio de quem tem o poder e podia facilitar as coisas, mas não faz isso”, lamenta o senador.

“Adotar é algo louvável. Mas durante o processo de adoção não pode haver irregularidades e atos que violem os direitos humanos, não só dos adotantes como dos adotados”, argumenta o também senador Paulo Paim (PT-RS), que presidia a Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) do Senado quando aconteceram os debates.

As explicações para o desinteresse dos brasileiros em acolher crianças maiores ou adolescentes têm origem no fator predominante que leva uma família a decidir pela adoção.

As pesquisadoras Ana Maux (à esquerda) e Elza Dutra, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) consideram os estudos com as famílias essenciais para que possamos compreender a experiência da adoção e as suas particularidades. ------------------ Endereço para correspondência: Praça André de Albuquerque, 22, Cidade Alta, Natal/RN - CEP:59025-580

As pesquisadoras Ana Maux (à esquerda) e Elza Dutra, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) consideram os estudos com as famílias essenciais para que possamos compreender a experiência da adoção e as suas particularidades.
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Endereço para correspondência: Praça André de Albuquerque, 22, Cidade Alta, Natal/RN – CEP:59025-580

“Em uma pesquisa realizada [em 2006] envolvendo famílias de vários estados do país, 50% dos entrevistados trouxeram como motivação para a adoção o fato de não terem os próprios filhos (incluindo-se aí aqueles que desejavam escolher o sexo da criança ou problemas de infertilidade para gerar o segundo filho). Para aqueles que não possuíam filhos biológicos, a infertilidade foi apresentada como motivação por mais de 80% dos respondentes”, revelaram as psicológicas Elza Dutra e Ana Andréa Barbosa Maux, no artigo “A adoção no Brasil: algumas reflexões”, publicado em 2010 na revista Estudos e Pesquisas em Psicologia.

“Adoção tem que estar dentro do nosso coração. Não é qualquer pessoa que vai adotar. Não se pode pedir a ninguém para adotar uma criança e, quando ela quer adotar, os grupos preparam o casal para uma adoção legal, segura e para sempre”, reconhece Sandra Amaral, presidente do grupo de apoio à adoção De ­Volta pra Casa.

Muitas pessoas, porém, podem até ter o sonho de adotar uma criança, mas enfrentam obstáculos que vão muito além das próprias capacidades de superá-los. Por exemplo, os encargos financeiros referentes à criação de um filho. A situação econômica dos pretendentes a adoção é um dos itens cuidadosamente avaliados pelas equipes das varas de Infância e Adolescência antes de incluí-los no cadastro nacional. Os números refletem essa realidade: 75% dos pretendentes têm renda familiar entre um e dez salários mínimos.

Fonte: Em Discussão – Senado

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Ponto de Encontro – Adoção

A assistente social da Vara da Infância e Juventude de Campinas Clarice Teixeira e a professora da Pós-Graduação em Psicologia da PUC-Campinas Letícia Zanon discutem o processo de adoção na região.

https://www.youtube.com/watch?v=piB_47o-ZNs&feature=youtu.be

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